MODIGLIANI

“Nu reclinado do atrás” – Óleo sobre tela – 64 x 99 cm – 1917.

 

Pintor, escultor italiano, e um dos meus artistas preferidos, Modigliani constituiu uma vida marcada pela boêmia parisiense. No post de hoje, discorro sobre sua vida e obras além de indicar um filme sensacional que retrata a sua história.

 

Nascido em 12 de julho de 1884, em Livorno (Leghorn), na Toscana, Modigliani pertencia a uma família judaíca que na época de seu nascimento passava por situações financeiras precárias, devido a uma crise econômica que circundava a Itália. Com a falência da empresa da família, sua mãe começa a dar lições particulares e a fazer traduções para ajudar nas despesas, sendo assim, o artista cresce em um ambiente com incentivos literários e filosóficos. Ainda estimulado por sua mãe, desde a juventude era levado para conhecer obras de arte em museus.

Modigliani, c. 1902

Mediante a sua saúde frágil, tendo contraído febre tifóide em 1898, o artista não recebeu educação formal e voltou-se para o estudo da pintura que iniciou em sua cidade natal e prosseguiu em Veneza e Florença.

Como se não bastasse as desventuras mencionadas, Modigliani é vítima da tuberculose e passa o inverno de 1900/1901 em Nápoles, em Capri e em Roma. Em 1906 mudou-se para Paris, grande centro cultural e artístico do começo do século XX, onde edificou a maior parte de sua carreira nas artes plásticas. 

Em 1917, executa uma série de cerca de trinta pinturas de nus. Em abril, Modigliani conhece uma jovem de dezenove anos, que seria o grande amor de sua vida, Jeanne Hébuterne, estudante da Académie Colarossi, e em 1919 mãe de sua primeira filha.

A vida de Modigliani é regada a dramas e infortúnios, contudo, o que mais me chama atenção é uma das principais características atreladas as suas obras: os “olhos de Modigliani” que eram por este, pintados como olhares vazios ou apenas borrões.  Modi, dedicou grande parte de seu acervo a Jeanne, pintava-a como se seus olhos estivessem fechados ou não existissem e quando questionado ressaltou: “Quando conhecer sua alma, pintarei seus olhos“, lindo!

A primeira e única obra da amada com os olhos pintados, resultou no triunfo em uma competição onde um dos seus maiores rivais, Pablo Picasso, participava. O “Retrato de Jeanne Hebuterne”, foi arrematado em 2005 por 5,95 milhões de dólares em Londres. Infelizmente, mais uma tragédia se estabelecia na vida do artista, logo após a finalização da obra que o consagrou, Modigliani falecera de tuberculose. Morre, aos 36 anos, “o último boêmio autêntico”, como descrevia o pintor alemão Ludwig Meidner. No auge da angústia, Jeanne Hebuterne não suportou a perda e se atirou do 5º andar de um prédio, grávida de 9 meses.
Amadeo Modigliani, cujas obras refletiam tão grande fascínio pela essência da alma, cuja vida, em meio a caprichos, bebedeiras e adversidades, expressava imensa insistência pela arte da existência.

 

“Retrato de uma mulher com chapéu ( Jeanne Hérbuterne com Chapéu Largo )” – Óleo sobre tela – 55 x 38 cm – 1917 | “Retrato de Jeanne Hebuterne” – Óleo sobre tela – 30x 24 cm – 1918.
“Nú em pé – Elvira” – Óleo sobre tela – 92 x 60 cm – 1918 | “Estudo para o violoncelista” –  Óleo sobre tela – 1909.

 


 

Eu o vi dançar uma vez, perto da estátua de Balzac,

seu rosto estava lindo, seus passos eram graciosos…

pavoneando-se com a música, ele sorria…

Ele foi tudo aquilo que eu fora um dia

Renoir sobre o amigo, Modigliani.

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